terça-feira, 17 de abril de 2012

A PAIXÃO QUANDO VICIA !

Quando a paixão vicia, chamamos de Limerância. São pessoas que não passam do estágio da paixão que tira fome, sono, causa euforia, correspondida ou não, para a fase mais tranquila ...o amor. Se trata de umá prisão consentida denunciada pela adrenalina. Por um sentimento instável e ansioso, fazendo o sujeito a apresentar sintomas físicos parecidos com os do pânico e depressão. É uma prisão quase psicótica que declina o bom senso e a razão. A paixão em sua origem semântica , representa sofrimento do grego" Pahtos", e suplício, do latim "Passio". A Limerância é um extremo deste sentimento da paixão. Parece um desencontro do sujeito com qualquer sentido de satisfação. Ele nunca estará satisfeito. Desta falta estrutural , já nos fala a neurose freudiana. Mas há algum outro componente inerente e específico que deflagra toda esta patologia. Não se sabe ainda o porquê do seu desenvolvimento e evolução em determinadas pessoas e relações. Mas há pesquisas neurológicas em andamento. Mas enquanto não se tem respostas fisiológicas, entende-se como uma condição comportamental. Poderia classificar a Limerância, como um tipo de adição, droga. Pois o sujeito tanto pode viciar no objeto, pessoa, como no sentimento que esta adrenalina provoca. Substituindo assim suas "paixões" a toda hora; desde que obtenha as mesmas sensações de prazer patológico.É preciso não idealizar tanto um parceiro(a) ou relação. Pois isto provoca uma outra questão: Ninguém serve! Logo, a dificuldade de comprometimento, aumenta proporcionalmente na medida em que este sujeito não sente mais a necessidade e desejo de se envolver em relações saudáveis. Onde há dias bons e ruins. Onde temos momentos de presença e ausência na relação.
Então, importante pensar quando este deslumbramento se torna mais importante que tudo, inclusive que a dor do apaixonado, que frustrado, angustiado, doente, não consegue um limite ou um avanço na sua estrutura de saber lidar com os seus desejos e prazeres. Mudar de paixão, logo, não resolve o problema. É preciso falar disto e alguns casos usar medicação, enquanto se elabora os motivos que edificaram este sintoma. Buscar no outro ou em algo, aquilo que não encontrou dentro de si, é a pior forma de iniciar este vício. O "outro", não passa de uma projeção idealizada daquilo que alguém não deu conta sozinho, por si mesmo. E vê neste sentido, um alívio para a sua falta e frustração como sujeito. Grande engano!!! 

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Por tão pouco....

Quanta pressa.... olhos que passam vidrados pela vida e em preto e branco virtual. Cadê o olhar mais demorado? Aquele beijooo...em que se perde a noção do tempo? aquele abraço no filho que chega da escola, ainda pilhado do dia...podendo ser acolhido com calma, por inteiro, único! E o efeito colateral de tanta pressa, leva a ansiedade de não dar conta de tudo. Que angústia! Quantos casamentos que acontecem por tão pouco , ....mas é preciso garantir! E por tão pouco... se separam! Mas é preciso se garantir! Traições de todas as formas em todas idades e intensidades, se configuram por instintos tão egocêntricos e narcísicos. Espere um pouco mais! Seria tão bom correr para a vida, para o mundo, mas com o bom senso da sabedoria e sensibilidade de quem reconhece a velocidade e enxerga na lateralidade da vida. Foco, sempre é bom! Mas olhar em volta, sentir um pouco mais, pode fazer toda a diferença em tempos de informações tão eficientes e viciantes. Se permita ir longe, mas chegue inteiro e carregado e não pela metade, vulnerável pelo ritmo que os tempos pedem. Não se perca por tão pouco! Por uma mensagem que não chega, um e-mail, um feedback...não se resuma ao desejo do outro que nunca se satisfaz. Amplie as suas percepções, aguce seus sentidos e reflita na palavra, antes, as ações que tomares. Não se abandone por tão pouco... Mude a postura e exija mais de si do mundo. Simplificar a vida é abreviá-la!

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

UM POUCO MAIS...

Amar é ver além do concreto. É escutar mais além da frase dita. É falar mais além da palavra. É sentir um arrepio na pele e um tremor na carne.É se movimentar apressadamente tranqüila. É pensar que vale a pena a entrega, sem receio ou garantia. É sentir uma paz inquietante na alma que faz o coração bater forte e sereno. É uma ambivalência do encontro dos valores e das pulsões. É um hemograma sem referências... é singular! E simplesmente, é estar mais perto daqueles que amamos, mesmo quando eles estão além de nós.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

O Vazio do fim de ano...

Uma queixa comum nesta época do ano, é o stress. E junto com ele toda a sua potencialidade para cursar com outros sintomas comportamentais e físicos. Mas o que de fato será que acontece nesta época, que todos parecem correr na mesma direção buscando um não sei o que, num não sei aonde???
Pode parecer uma falta de planejamento e logística da vida. Mas há algo que me chama muito a atenção: Um vazio....a presença deste vazio...de uma espécie de fechamento de ciclo, mas que ainda não está completo. Há "coisas " pra fazer, entender, mudar, tirar, pensar, antes deste ciclo fechar. O que gera uma energia suficiente para as pessoas preencherem seus "vazios" ou somatizá-los. Funcionar com prazos ou metas , exigem uma certa gestão emocional. Daí a idéia de rever o conceito desta época em nossas vidas!
A neurose de dar presente e se fazer presente na vida das pessoas, precisa ser avaliada. Só vale a pena, se for na medida da saúde. Sem stress e com um objetivo interno bem resolvido. A neurose sempre quer agradar a todos....e que deixa melhor que esta para fazer "aqueles" acordos com a culpa, que deflagra toda esta questão. Fica a idéia.... Pensar melhor no prazer que faz sentido é bem melhor do que depois ter que lidar com um custo alto na conta do banco e do emocional. Fiquemos atentos às pegadinhas da mídia, aos primeiros destinos da pulsão econômica e vire o ano sem virar-se do avesso!

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Anorexia & o Contemporâneo

Pensando na anorexia como sintoma .... sintoma que quer dizer algo. Então, pode-se pensar na estreita relação entre a linguagem na estrutura de um sujeito e nas patologias da neurose. A Anorexia quer falar de algo deste sujeito. Algo que ele não conseguiu deslocar em palavra. Usar aquilo que tenho  para falar de um corpo, de uma dor, de uma inibição, é justamente o âmago da questão. Quando o corpo recusa um alimento, ele recusa falar de si. Fica repetindo no sintoma uma forma fantasiada de uma realidade que não dá conta. Se fala com a boca na Anorexia....mas com a boca fechada. É preciso perceber se o campo da palavra está exposto ao sujeito anoréxico. Se a linguagem é constituinte para o sujeito, é possível pensar que em algum circuito da oralidade algumas letras constitutivas se perderam. Fazendo lacunas pulsionais confusas. É como se na musicalidade do som das palavras, se perdessem alguns tons e ritmos, transformando o sentido de uma determinada sentença. O sujeito faz um sintoma complexo de pulsão de morte, pois pode ser a única forma que consegue fazer se ouvir pelo outro. Há um rompimento com àquele traço primário de satisfação remanescente , em que o bebê é alimentado e satisfeito por um momento....até frustrar e assim sucessivamente. Sair deste lugar de desejo do outro é ir para onde? Para um não lugar. Por isso, podemos dizer que o estímulo do culto ao corpo, pode sim ser um fator desencadeante para a Anorexia, mas não deflagra sem a onipotente presença da estrutura neurótica da linguagem em sua face patológica, porém latente, esperando um grito interno para emudecer e só falar a partir de um sintoma . Sintoma sustentado por uma escolha.....aquela que de alguma forma , muitas vezes fatal, limita o outro à sua insignificância, dando um novo tempo e espaço para um novo corpo que padece em si todo o silêncio daquelas palavras “malditas”, que recusando ou regurgitando sílabas ...ainda é preciso escutar ! E aqui tem –se uma direção de cura. Escutar sem ânsia da necessidade ou Demanda do óbvio, daquilo que dá vida ao corpo e mente, o alimento. É preciso ir ao Desejo deste paciente. E de alguma forma dentro do tempo lógico de Lacan:” tempo de ver, tempo de compreender e momento de concluir”. É interessante pensar que o foco deste paciente é atemporal, ele perdeu a noção do tempo . Vida e Morte se cruzam numa ambivalência delirante. Não fiquemos no enunciado ( Vamos! Coma!) veja a enunciação: (Ok. Mas me fale de você...) Agora, já existe um lugar para lidar com este sujeito.
 Entre ganhos e perdas, há um caminho de volta!

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

INSEGURANÇA

A insegurança faz parte da vida que é vivida. Da vida que nos desafia a buscar mais....ir além . Mas há momentos em que ela parece nos mortificar, tamanha inibição que ela provoca em nossos pensamentos e atitudes. O primeiro passo é quase impossível! Quase.... pois geralmente o segundo passo, já não consome tanto. Mas por que isto acontece? O medo de não ser aceito pelo outro, pode nos tornar mais vulnerável . Este sentimento pode ter origem geralmente na infância. Mas pode ser desencadeado a qualquer tempo...
Pois na infância o olhar daquele grande Outro, de nossos pais , por exemplo, ou de alguém que representa uma importância de um significante, pode desencadear em nossa estrutura uma forma de aceitação, de estima que vai nos marcar de alguma forma. Para uns, numa relação saudável, suficientemente boa com os outros que nos são referência e importância, formamos um pilar que sustenta melhor as frustrações. Por outro lado, quando este pilar não se edifica, podemos ficar mais expostos e menos crédulos da nossa capacidade. Não culpemos ninguém! Não se trata disto. Agora, podemos optar em construir esta forma de lidar com o efeito da causa. Buscar nas palavras um novo significado para trabalhar nossos medos e nas atitudes a chance de vencê-los. Todos nós lidamos com a insegurança.... ela é inerente ao que é humano. Mas quando ela nos paralisa, busque ajuda ok?

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

FRAÇÂO

Vida é existência.
 Parece tão simples resumir toda complexidade da natureza desta forma. Mas a grande questão é o que fazemos com ela quando somos convocados a Viver. Não é só decifrar aonde ela começa e porque termina. Se existir é um desejo de um Outro, então partimos da premissa de que a nossa existência por si só, é aleatória a nossa vontade. Mas a essência que vem com ela é o que nos adota. Então a Vida se faz em algum sentido que vamos descobrindo ao longo dela. A ética da vida é viver! Vida + Vida é = a uma nova existência que se desdobra em uma nova vida. Existir com tudo aquilo que a Vida tem , incluindo o seu fim, nos torna um sujeito capaz ou não de lidar com ela. Viver é uma  arte. Descubra o seu talento!