segunda-feira, 10 de setembro de 2012

50 Tons...

 
 
Um livro erótico e envolvente para as mentes femininas e ousadas. Faz um boa reflexão deste contra ponto sexo-amor. Quem faz o que e porque. A questão não fica somente numa relação sexual perversa. Mas o que a provoca. Faz a pele arrepiar... as tórridas descrições de sexo aguçadas em 50 tons de sentidos e todos eles, mostra uma autora com conhecimento de causa. São momentos que falam de uma dor maior... A dor de viver uma falta , algo pela metade, ou a dor do vazio, do nem isso? Assinar ou não um contrato, parece que fica em segundo plano, diante das descobertas & nuas imagens do passado e futuro. Já que o presente é pouco tempo pra tanto de apenas dois.
Uma linguagem perturbadora que nos dá um ambivalente encontro com a sexualidade. Sim... sempre ambivalente...sim , não, dor, prazer, tudo, nada, certo, errado...faz pensar, sentir algo menos radical,  um  tom intermediá rio ao preto e branco. Cinza... Há, sim 50 tons de cinza, realmente nos faz sair da tendenciosa mania de 8 /80 . Aprender a viver numa possibilidade... difícil manobra de uma educação onde se espera um posicionamento social. Cinza não existe! É uma mistura... 

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Evidências

Evidências

Esperar que o outro nos diga que não nos ama... como dói! Tanto a espera... quanto a constatação.

Não sei o que é mais angustiante.Mas penso que o melhor é a verdade! Enquanto brincamos de nos enganar na insegurança do outro, vamos velando a verdade daquilo que o coração já sente, a mente já sabe, mas os sentidos desperezam.

 E assim ,  procrastinamos o final. Como é difícil terminar, romper um amor que já foi tão seu...Mesmo que as evidências apontem para o fim, esperamos que algo mude o curso dele. É da estrutura humana, negar as perdas. Mas e quando se ganha a si mesmo, perdendo o outro que nos envolve?

O amor é subtração...

E uma relação é a soma dessas subtrações de si mesmo.
Portanto, que sintamos a dor assustadora do amor e encontremos nela o investimento de multiplicar o melhor de si mesma!

terça-feira, 17 de abril de 2012

A PAIXÃO QUANDO VICIA !

Quando a paixão vicia, chamamos de Limerância. São pessoas que não passam do estágio da paixão que tira fome, sono, causa euforia, correspondida ou não, para a fase mais tranquila ...o amor. Se trata de umá prisão consentida denunciada pela adrenalina. Por um sentimento instável e ansioso, fazendo o sujeito a apresentar sintomas físicos parecidos com os do pânico e depressão. É uma prisão quase psicótica que declina o bom senso e a razão. A paixão em sua origem semântica , representa sofrimento do grego" Pahtos", e suplício, do latim "Passio". A Limerância é um extremo deste sentimento da paixão. Parece um desencontro do sujeito com qualquer sentido de satisfação. Ele nunca estará satisfeito. Desta falta estrutural , já nos fala a neurose freudiana. Mas há algum outro componente inerente e específico que deflagra toda esta patologia. Não se sabe ainda o porquê do seu desenvolvimento e evolução em determinadas pessoas e relações. Mas há pesquisas neurológicas em andamento. Mas enquanto não se tem respostas fisiológicas, entende-se como uma condição comportamental. Poderia classificar a Limerância, como um tipo de adição, droga. Pois o sujeito tanto pode viciar no objeto, pessoa, como no sentimento que esta adrenalina provoca. Substituindo assim suas "paixões" a toda hora; desde que obtenha as mesmas sensações de prazer patológico.É preciso não idealizar tanto um parceiro(a) ou relação. Pois isto provoca uma outra questão: Ninguém serve! Logo, a dificuldade de comprometimento, aumenta proporcionalmente na medida em que este sujeito não sente mais a necessidade e desejo de se envolver em relações saudáveis. Onde há dias bons e ruins. Onde temos momentos de presença e ausência na relação.
Então, importante pensar quando este deslumbramento se torna mais importante que tudo, inclusive que a dor do apaixonado, que frustrado, angustiado, doente, não consegue um limite ou um avanço na sua estrutura de saber lidar com os seus desejos e prazeres. Mudar de paixão, logo, não resolve o problema. É preciso falar disto e alguns casos usar medicação, enquanto se elabora os motivos que edificaram este sintoma. Buscar no outro ou em algo, aquilo que não encontrou dentro de si, é a pior forma de iniciar este vício. O "outro", não passa de uma projeção idealizada daquilo que alguém não deu conta sozinho, por si mesmo. E vê neste sentido, um alívio para a sua falta e frustração como sujeito. Grande engano!!! 

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Por tão pouco....

Quanta pressa.... olhos que passam vidrados pela vida e em preto e branco virtual. Cadê o olhar mais demorado? Aquele beijooo...em que se perde a noção do tempo? aquele abraço no filho que chega da escola, ainda pilhado do dia...podendo ser acolhido com calma, por inteiro, único! E o efeito colateral de tanta pressa, leva a ansiedade de não dar conta de tudo. Que angústia! Quantos casamentos que acontecem por tão pouco , ....mas é preciso garantir! E por tão pouco... se separam! Mas é preciso se garantir! Traições de todas as formas em todas idades e intensidades, se configuram por instintos tão egocêntricos e narcísicos. Espere um pouco mais! Seria tão bom correr para a vida, para o mundo, mas com o bom senso da sabedoria e sensibilidade de quem reconhece a velocidade e enxerga na lateralidade da vida. Foco, sempre é bom! Mas olhar em volta, sentir um pouco mais, pode fazer toda a diferença em tempos de informações tão eficientes e viciantes. Se permita ir longe, mas chegue inteiro e carregado e não pela metade, vulnerável pelo ritmo que os tempos pedem. Não se perca por tão pouco! Por uma mensagem que não chega, um e-mail, um feedback...não se resuma ao desejo do outro que nunca se satisfaz. Amplie as suas percepções, aguce seus sentidos e reflita na palavra, antes, as ações que tomares. Não se abandone por tão pouco... Mude a postura e exija mais de si do mundo. Simplificar a vida é abreviá-la!

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

UM POUCO MAIS...

Amar é ver além do concreto. É escutar mais além da frase dita. É falar mais além da palavra. É sentir um arrepio na pele e um tremor na carne.É se movimentar apressadamente tranqüila. É pensar que vale a pena a entrega, sem receio ou garantia. É sentir uma paz inquietante na alma que faz o coração bater forte e sereno. É uma ambivalência do encontro dos valores e das pulsões. É um hemograma sem referências... é singular! E simplesmente, é estar mais perto daqueles que amamos, mesmo quando eles estão além de nós.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

O Vazio do fim de ano...

Uma queixa comum nesta época do ano, é o stress. E junto com ele toda a sua potencialidade para cursar com outros sintomas comportamentais e físicos. Mas o que de fato será que acontece nesta época, que todos parecem correr na mesma direção buscando um não sei o que, num não sei aonde???
Pode parecer uma falta de planejamento e logística da vida. Mas há algo que me chama muito a atenção: Um vazio....a presença deste vazio...de uma espécie de fechamento de ciclo, mas que ainda não está completo. Há "coisas " pra fazer, entender, mudar, tirar, pensar, antes deste ciclo fechar. O que gera uma energia suficiente para as pessoas preencherem seus "vazios" ou somatizá-los. Funcionar com prazos ou metas , exigem uma certa gestão emocional. Daí a idéia de rever o conceito desta época em nossas vidas!
A neurose de dar presente e se fazer presente na vida das pessoas, precisa ser avaliada. Só vale a pena, se for na medida da saúde. Sem stress e com um objetivo interno bem resolvido. A neurose sempre quer agradar a todos....e que deixa melhor que esta para fazer "aqueles" acordos com a culpa, que deflagra toda esta questão. Fica a idéia.... Pensar melhor no prazer que faz sentido é bem melhor do que depois ter que lidar com um custo alto na conta do banco e do emocional. Fiquemos atentos às pegadinhas da mídia, aos primeiros destinos da pulsão econômica e vire o ano sem virar-se do avesso!

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Anorexia & o Contemporâneo

Pensando na anorexia como sintoma .... sintoma que quer dizer algo. Então, pode-se pensar na estreita relação entre a linguagem na estrutura de um sujeito e nas patologias da neurose. A Anorexia quer falar de algo deste sujeito. Algo que ele não conseguiu deslocar em palavra. Usar aquilo que tenho  para falar de um corpo, de uma dor, de uma inibição, é justamente o âmago da questão. Quando o corpo recusa um alimento, ele recusa falar de si. Fica repetindo no sintoma uma forma fantasiada de uma realidade que não dá conta. Se fala com a boca na Anorexia....mas com a boca fechada. É preciso perceber se o campo da palavra está exposto ao sujeito anoréxico. Se a linguagem é constituinte para o sujeito, é possível pensar que em algum circuito da oralidade algumas letras constitutivas se perderam. Fazendo lacunas pulsionais confusas. É como se na musicalidade do som das palavras, se perdessem alguns tons e ritmos, transformando o sentido de uma determinada sentença. O sujeito faz um sintoma complexo de pulsão de morte, pois pode ser a única forma que consegue fazer se ouvir pelo outro. Há um rompimento com àquele traço primário de satisfação remanescente , em que o bebê é alimentado e satisfeito por um momento....até frustrar e assim sucessivamente. Sair deste lugar de desejo do outro é ir para onde? Para um não lugar. Por isso, podemos dizer que o estímulo do culto ao corpo, pode sim ser um fator desencadeante para a Anorexia, mas não deflagra sem a onipotente presença da estrutura neurótica da linguagem em sua face patológica, porém latente, esperando um grito interno para emudecer e só falar a partir de um sintoma . Sintoma sustentado por uma escolha.....aquela que de alguma forma , muitas vezes fatal, limita o outro à sua insignificância, dando um novo tempo e espaço para um novo corpo que padece em si todo o silêncio daquelas palavras “malditas”, que recusando ou regurgitando sílabas ...ainda é preciso escutar ! E aqui tem –se uma direção de cura. Escutar sem ânsia da necessidade ou Demanda do óbvio, daquilo que dá vida ao corpo e mente, o alimento. É preciso ir ao Desejo deste paciente. E de alguma forma dentro do tempo lógico de Lacan:” tempo de ver, tempo de compreender e momento de concluir”. É interessante pensar que o foco deste paciente é atemporal, ele perdeu a noção do tempo . Vida e Morte se cruzam numa ambivalência delirante. Não fiquemos no enunciado ( Vamos! Coma!) veja a enunciação: (Ok. Mas me fale de você...) Agora, já existe um lugar para lidar com este sujeito.
 Entre ganhos e perdas, há um caminho de volta!