sexta-feira, 10 de junho de 2011

Saudade

Me fale da saudade... como não sentir saudades? às vezes dói, outras nem tanto. Lembranças são momentos de falta sem saudade. Lembranças, doem menos. Mas a saudade... é uma tatuagem!
Ela está marcada na pele, num cheiro, num gesto, num silêncio, num olhar... é um sentimento de retorno.
A minha história é cheia de saudades.... pois já foi, é passado! Mas se faz presente, quando sentida.A saudade é a presência de uma ausência a espera de um reencontro. Não há, muitas vezes, um objeto defenido. Há algo que remete! Que palavra heim? SAUDADE; SAÚDE-IDADE; Fragmentando esta exclusividade do português,  há uma união de corpo e fases. Então cada fase da vida, a saudade vem com uma percepção diferente. Porém não menos ou mais. Ela tem luz própria. Decifrar a sua saudade é saber um pouco mais de você. Que coisa é essa que me faz ir, mas deixa partes de mim no que ficou?
Que companheira eterna do sujeito que só sente saudade daquilo que viveu. Se não, é arrependimento.
Sentir a transitoriedade da saudade, é como admirar e sustentar o desabrochar de uma linda flor num momento, numa época. Na sua efêmera passagem ... Então, sentir saudades é bom. Negá-la, é fuga.
Viver de saudade, não é vida! Viver para contar histórias que deixaram saudades, são experiências. 

terça-feira, 24 de maio de 2011

A Saída da Perda.

Quem sente uma perda, é porque um dia já teve de alguma forma aquilo que perdeu. Nem que apenas a esperança de um dia ter. Quando acontece esta ruptura , vem a impotência desta dor, daquilo que eu não posso mais mudar. Acabou. Ok, o luto começa a articulação das suas 5 fases e se bem sucedida, escapamos da implacável melancolia. Mas cada um de nós tem um ritmo para lidar com as suas perdas. E isto é de extrema importância para  o sujeito. A perda nos é familiar, uma dor quase conhecida... porque é um dos primeiros sentimentos que vivenciamos na primeira infância, na relação ainda simbiótica com a mãe, que vem a ser saudavelmente,  atravessada pela presença do Pai. Então, por isto Freud escreve que o" estranho é familiar". E se assim, já conhecemos este sentimento, por isto o tememos. Não temos medo só do desconhecido... daquilo que formamos um juízo de valor e afeto, também nos inibe. Mas passado o dano da perda, precisamos pensar em ganhos. Pois se ficarmos paralisados no dano, a vida não segue. Aprender a conviver com a perda já é um ganho. A saudade são lembranças que doem... quando conseguirmos viver com estas lembranças convertidas em história pra contar, experiência pra passar, algo para não repetir, onde o lamento nos fortalece e não nos destrói, a única saída é não se perder junto, isto é a melancolia que falei acima, logo, não podemos usar o se... se eu não tivesse.... se eu tivesse...., precisamos das lembranças sem dor, que nos referencialize na vida e em direção a ela. Naquilo que somos , porque um dia fomos. Na verdade, passamos a nossa vida lidando com a nossas perdas. Não tem fim. Mas nem por isto deixamos de aprender com elas, por piores que sejam... existe aí um lugar de alento, dentro de você! Se não volta mais, não será mais como era, então precisamos fazer de um novo jeito para conseguir viver apesar do pesar da perda. Não tentemos voltar ao absoluto daquilo que era! Será uma busca sem fim. Lide com a dor a seu tempo e guarde as boas lembranças no coração, a saudade nos momentos em que as lágrimas chegam, e a esperança de que  você conseguirá nas margens do tempo, viver em Lá maior e não em Dó menor na melodia de tudo que ainda está por vir.
Bjs,e em especial há uma querida família, a quem dedico estas linhas.
Ale.  

terça-feira, 17 de maio de 2011

A Espera

Às vezes a espera é algo insuportável. Impaciência? Não só...
É impressionante a capacidade que temos de transformar uma letra ,
no alfabeto! Entendo que quando se está esperando por algo ou alguém, nos tornarmos vulneráveis e tendenciosos. Penso em confiança e estima. Pois o pensamento entra num viés negativo e parece atualizar todos aqueles sentimentos de fracasso e rejeição. E isto é puro devaneio transitório da espera. Para o prazer de uma espera não se transformar na tortura do abandono, onde uma onda de adrenalina invade o corpo e "pensar o pior" é inevitável, PARE  o curso deste pensamento , criando uma nova perspectiva de pensamento. Pense algo positivo. Crie possibilidades para justificar esta espera, sem sofrer tanto. O esperado, pode não fazer a mínima ideia do julgamento pelo qual ele já passou. É importante, deixar o outro se explicar de forma imparcial. Se você já cria uma postura reativa diante da circunstância, talvez jamais saberá realmente o que aconteceu. Não sucumba ao gozo histérico da expectativa de uma espera, sem antes, ouvir o outro lado. Afinal, quem espera também é esperado.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

A Culpa.

Se existe uma palavrinha que poderia ser quase um sinônimo da neurose, é a Culpa.. Diferentemente do que muitos pensam a neurose é uma estrutura saudável, justamente por ser imbuída da dúvida, da falta, da diferença e da culpa. Freud, quando colocou que o sujeito em sua estrutura pode ser neurótico, psicótico ou perverso, estava atento a este sentimento : sentir-se culpado. Então, vendo por este prisma, ser neurótico na estrutura e sentir culpa, não é ruim, pois são os sinalizadores da minha suposta normalidade. O psicótico vive no campo da certeza. E o perverso , no da estratégia. Ambos não sentem culpa. Bem, mas para não quero teorizar... só quero dizer que se a culpa nos torna capazes de amar e trabalhar(definição freudiana de normal) porque sofremos tanto com ela? É um sentimento aniquilador, que nos deixa em cárcere privado e provoca vários sintomas orgânicos desagradáveis, pela somatização. Importante pensarmos na culpa em formas distintas: Sentir-se culpado , estar culpado e ser culpado. No último caso parece que já houve um julgamento de valor, de mérito. Mas a semelhança é intrigante: A culpa  é sempre depois do pensamento ou ato. Porque será? A culpa é um afeto que silencia a narrativa de um desejo. Então é importante se perguntar, antes mesmo de vitimar-se ou julgar-se, se culpando.... na causa , no antes. Se havia um desejo, havia uma verdade. Fato. Não importam mais as "desculpas" que me levaram a fazer isto ou aquilo. Portanto, nesta reflexão, crio um paradigma de antes de narcisicamente julgar a culpa ,  questionar o que me levou a agir assim. A partir disto, terei uma escolha de abreviar uma relação ou renová-la . Na hipocrisia do ego, há uma tendência de colocar a culpa como fim. E se a considerássemos como uma aliada? que pode nos dizer algo mais além? Penso que temos escolha na culpa, se não a infantilizarmos. Assim, saberemos melhor o porquê deste sentimento tão limitante, mas que se bem pensado, pode ser LIBERTADOR.
Ale.

domingo, 24 de abril de 2011

O Filme!!!!

Paris.
A felicidade não é plena por uma questão de pura sanidade. Temos momentos de felicidade. Hoje as pessoas parecem não admitir mais sofrer! Preferem escolher um roteiro idílico. Sofrer passou a ser um fracasso fashion. Sofrer é out! Mas é no sofrimento que muitas vezes vencemos os nossos maiores medos ou no mínimo, nos damos conta deles. Então vamos às pílulas para não sentir. Mas qual é o problema de estar triste? Ter um momento de luto? Demorar para tirar o pijama? Veja, não falo de depressão! Falo de tristeza, daquele choro que faz bem. "Lava a alma"! O equilíbrio da vida  está exatamente na intersecção do desequilíbrio destas emoções. Não compactue com velocidade das informações, sem antes senti-las. Desde de pequenos, aprendemos que chorar é feio, que o que dói,  já vai passar, e acabamos condenados a própria sorte de um não saber sentir. Então, se perceba por um instante! Veja qual o recado da dor e responda com consciência. Assim, essa dor não vira uma ameaça! Pois a ameaça é o fracasso do diálogo. Converse mais consigo mesmo e faça o seu filme. Ação?!
Ale.

domingo, 17 de abril de 2011

Angústia

Tem dias que parece que uma sombra nos segue...
Uma angústia, uma "coisa", uma estranhamento" com o cotidiano
Nada parece estar certo ou no lugar certo! sabe aquele Sei lá ? Qualquer coisa?
Mas conversando com  que um paciente, sobre esta sensação de que algo está a mais, fora de foco ,me ofuscando, pesado e frágil...
Pensei que pode ser o oposto: tem algo de menos.
Pois esta sombra pode ser justamente a falta da minha metade, daquela que não dou conta.
Se trata da sombra da metade que ficou e que é sugada por esse imenso vazio.
Daí, este sentimento de buraco negro. Prestemos mais atenção se aquilo que atrapalha a minha luz é do outro que me apaga , naquilo que projeto, ou se fui eu mesmo que vivo pela metade e me assusto com o lado que não quero ver por ignorância ou defesa. Se conhecer, fazer análise, dói, porque precisamos sair da sombra.  

Ale

terça-feira, 12 de abril de 2011

Mulheres no singular

Hoje me sentei e comecei a escrever no meu consultório, um pouco desta questão de ser mulher. Sim, pois  somos  questão e não conceito.
Não dá para definir o que é mulher. Podemos até mensurar o feminino de uma enquanto especulação. Mas dizer onde começamos , qual o nosso meio e o nosso final, já se torna muito relativo. Quando acordamos hoje pela manhã, já éramos diferente daquela que acordou ontem... ou pelo sol,  pelo nublado, pelo passarinho que não cantou, pelo cheiro de café, ( que penso: Ufa! a minha funcionaria não faltou, hoje, tudo certo.), pelo cabelo que não se ajeita, o meu dente que hoje, não ontem, achei mais amarelo , mais torto... mas amanha eu sei que irei acordar diferente, só Deus sabe, como. Problemas de humor, ciclotimia? Penso que a mulher, de uma certa medida,  é ciclotímica não patológica por natureza. Faz  parte do contexto nosso de cada dia, uma oscilação básica de humor. E não me refiro àqueles dias...