terça-feira, 24 de janeiro de 2012

UM POUCO MAIS...

Amar é ver além do concreto. É escutar mais além da frase dita. É falar mais além da palavra. É sentir um arrepio na pele e um tremor na carne.É se movimentar apressadamente tranqüila. É pensar que vale a pena a entrega, sem receio ou garantia. É sentir uma paz inquietante na alma que faz o coração bater forte e sereno. É uma ambivalência do encontro dos valores e das pulsões. É um hemograma sem referências... é singular! E simplesmente, é estar mais perto daqueles que amamos, mesmo quando eles estão além de nós.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

O Vazio do fim de ano...

Uma queixa comum nesta época do ano, é o stress. E junto com ele toda a sua potencialidade para cursar com outros sintomas comportamentais e físicos. Mas o que de fato será que acontece nesta época, que todos parecem correr na mesma direção buscando um não sei o que, num não sei aonde???
Pode parecer uma falta de planejamento e logística da vida. Mas há algo que me chama muito a atenção: Um vazio....a presença deste vazio...de uma espécie de fechamento de ciclo, mas que ainda não está completo. Há "coisas " pra fazer, entender, mudar, tirar, pensar, antes deste ciclo fechar. O que gera uma energia suficiente para as pessoas preencherem seus "vazios" ou somatizá-los. Funcionar com prazos ou metas , exigem uma certa gestão emocional. Daí a idéia de rever o conceito desta época em nossas vidas!
A neurose de dar presente e se fazer presente na vida das pessoas, precisa ser avaliada. Só vale a pena, se for na medida da saúde. Sem stress e com um objetivo interno bem resolvido. A neurose sempre quer agradar a todos....e que deixa melhor que esta para fazer "aqueles" acordos com a culpa, que deflagra toda esta questão. Fica a idéia.... Pensar melhor no prazer que faz sentido é bem melhor do que depois ter que lidar com um custo alto na conta do banco e do emocional. Fiquemos atentos às pegadinhas da mídia, aos primeiros destinos da pulsão econômica e vire o ano sem virar-se do avesso!

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Anorexia & o Contemporâneo

Pensando na anorexia como sintoma .... sintoma que quer dizer algo. Então, pode-se pensar na estreita relação entre a linguagem na estrutura de um sujeito e nas patologias da neurose. A Anorexia quer falar de algo deste sujeito. Algo que ele não conseguiu deslocar em palavra. Usar aquilo que tenho  para falar de um corpo, de uma dor, de uma inibição, é justamente o âmago da questão. Quando o corpo recusa um alimento, ele recusa falar de si. Fica repetindo no sintoma uma forma fantasiada de uma realidade que não dá conta. Se fala com a boca na Anorexia....mas com a boca fechada. É preciso perceber se o campo da palavra está exposto ao sujeito anoréxico. Se a linguagem é constituinte para o sujeito, é possível pensar que em algum circuito da oralidade algumas letras constitutivas se perderam. Fazendo lacunas pulsionais confusas. É como se na musicalidade do som das palavras, se perdessem alguns tons e ritmos, transformando o sentido de uma determinada sentença. O sujeito faz um sintoma complexo de pulsão de morte, pois pode ser a única forma que consegue fazer se ouvir pelo outro. Há um rompimento com àquele traço primário de satisfação remanescente , em que o bebê é alimentado e satisfeito por um momento....até frustrar e assim sucessivamente. Sair deste lugar de desejo do outro é ir para onde? Para um não lugar. Por isso, podemos dizer que o estímulo do culto ao corpo, pode sim ser um fator desencadeante para a Anorexia, mas não deflagra sem a onipotente presença da estrutura neurótica da linguagem em sua face patológica, porém latente, esperando um grito interno para emudecer e só falar a partir de um sintoma . Sintoma sustentado por uma escolha.....aquela que de alguma forma , muitas vezes fatal, limita o outro à sua insignificância, dando um novo tempo e espaço para um novo corpo que padece em si todo o silêncio daquelas palavras “malditas”, que recusando ou regurgitando sílabas ...ainda é preciso escutar ! E aqui tem –se uma direção de cura. Escutar sem ânsia da necessidade ou Demanda do óbvio, daquilo que dá vida ao corpo e mente, o alimento. É preciso ir ao Desejo deste paciente. E de alguma forma dentro do tempo lógico de Lacan:” tempo de ver, tempo de compreender e momento de concluir”. É interessante pensar que o foco deste paciente é atemporal, ele perdeu a noção do tempo . Vida e Morte se cruzam numa ambivalência delirante. Não fiquemos no enunciado ( Vamos! Coma!) veja a enunciação: (Ok. Mas me fale de você...) Agora, já existe um lugar para lidar com este sujeito.
 Entre ganhos e perdas, há um caminho de volta!

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

INSEGURANÇA

A insegurança faz parte da vida que é vivida. Da vida que nos desafia a buscar mais....ir além . Mas há momentos em que ela parece nos mortificar, tamanha inibição que ela provoca em nossos pensamentos e atitudes. O primeiro passo é quase impossível! Quase.... pois geralmente o segundo passo, já não consome tanto. Mas por que isto acontece? O medo de não ser aceito pelo outro, pode nos tornar mais vulnerável . Este sentimento pode ter origem geralmente na infância. Mas pode ser desencadeado a qualquer tempo...
Pois na infância o olhar daquele grande Outro, de nossos pais , por exemplo, ou de alguém que representa uma importância de um significante, pode desencadear em nossa estrutura uma forma de aceitação, de estima que vai nos marcar de alguma forma. Para uns, numa relação saudável, suficientemente boa com os outros que nos são referência e importância, formamos um pilar que sustenta melhor as frustrações. Por outro lado, quando este pilar não se edifica, podemos ficar mais expostos e menos crédulos da nossa capacidade. Não culpemos ninguém! Não se trata disto. Agora, podemos optar em construir esta forma de lidar com o efeito da causa. Buscar nas palavras um novo significado para trabalhar nossos medos e nas atitudes a chance de vencê-los. Todos nós lidamos com a insegurança.... ela é inerente ao que é humano. Mas quando ela nos paralisa, busque ajuda ok?

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

FRAÇÂO

Vida é existência.
 Parece tão simples resumir toda complexidade da natureza desta forma. Mas a grande questão é o que fazemos com ela quando somos convocados a Viver. Não é só decifrar aonde ela começa e porque termina. Se existir é um desejo de um Outro, então partimos da premissa de que a nossa existência por si só, é aleatória a nossa vontade. Mas a essência que vem com ela é o que nos adota. Então a Vida se faz em algum sentido que vamos descobrindo ao longo dela. A ética da vida é viver! Vida + Vida é = a uma nova existência que se desdobra em uma nova vida. Existir com tudo aquilo que a Vida tem , incluindo o seu fim, nos torna um sujeito capaz ou não de lidar com ela. Viver é uma  arte. Descubra o seu talento!

domingo, 28 de agosto de 2011

RETALHOS

Sequestrada pelo teu olhar , me apaixonei. E segui meus anos ao seu lado. Deixando pra trás o passado e fazendo a minha colcha de retalhos novos.  Mas esqueci que cada retalho trás impregnado um pouco de passado... Meu? Seu? Nossos? Simmmmmmmm.  Histórias de vidas que se alinhavam no presente inevitavelmente trazem suas marcas, seus desenhos. Quando me dou conta que o meu horizonte só vai até aonde você permite, tento num contra ponto desesperado, me alinhar aos teus passos e de novo, sou sua. Tento correr, mas sei que meu fôlego é curto. Não quero ir tão longe, sem você. Então eu ando do meu jeito. Lamento a mim mesma num dia feio e espero o sol.  Já não falo mais, pois sei das suas limitações, ainda que não as aceite, optei por adaptar-me. E no cárcere que construí, uso a minha imaginação para poder voar... Joguei a chave fora por opção. Há algo maior que compensa. Não espere que eu explique. Não há resgate para uma escolha assim. Bem, foi uma escolha... vou então continuar assim...confortavelmente coberta com a minha colcha .

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Jogo sem vitória

"Entrei no teu jogo! Você conseguiu atingir o meu ponto fraco. Agora sou refém da minha própria fraqueza na força perversa das tuas mãos". Palavras de um paciente que me fez pensar no por quê de algumas pessoas não conseguirem sair de uma relação infeliz. De estar com alguém pelas razões erradas e sentimentos controversos. O sujeito não sente mais admiração , mais carinho, mais química , que antes sentia; Já não vê mais um sentido no objeto de amor nem na relação em si. Nem mesmo acredita que ele ainda aceita tal situação em sua vida. Neste "Nó Borromeu" que está articulado ainda, o que então mantém este sujeito ligado a alguém que lhe faz mal? Penso ser o fantasma de um sintoma deste sujeito. Pode ser algo que se organizou lá na infância, na adolescência ou mesmo num momento difícil da vida. Não houve tempo ou desejo para resolver esta "falha", que agora aparece repetidamente, de forma primeiramente inconsciente e depois mais consciente nas vicissitudes da forma de lidar com as pessoas , o mundo e si próprio. A posição em que este sujeito se coloca. Quem sai ganhando ? geralmente , ninguém! Pois quem vive uma relação assim, sabe que nada flui naturalmente.... é preciso um grande esforço de ambas as partes para manter toda esta energia do sintoma. Há um desgaste imenso do amor próprio. Aqui falo da parte que não consegue se desprender e não da parte que prende. Bem, se em algum momento, acontece um insight , como este que aconteceu com o meu paciente, há uma probabilidade deste paciente lidar com o seu real sintoma e não com um representante dele . Agora há um lugar para resolver esta questão e não as que são geradas e repetidas por ela. Quando o jogo termina, uma nova perspectiva se abre. Sustentar uma relação doentia é adiar o inevitável encontro consigo mesmo.