domingo, 28 de agosto de 2011

RETALHOS

Sequestrada pelo teu olhar , me apaixonei. E segui meus anos ao seu lado. Deixando pra trás o passado e fazendo a minha colcha de retalhos novos.  Mas esqueci que cada retalho trás impregnado um pouco de passado... Meu? Seu? Nossos? Simmmmmmmm.  Histórias de vidas que se alinhavam no presente inevitavelmente trazem suas marcas, seus desenhos. Quando me dou conta que o meu horizonte só vai até aonde você permite, tento num contra ponto desesperado, me alinhar aos teus passos e de novo, sou sua. Tento correr, mas sei que meu fôlego é curto. Não quero ir tão longe, sem você. Então eu ando do meu jeito. Lamento a mim mesma num dia feio e espero o sol.  Já não falo mais, pois sei das suas limitações, ainda que não as aceite, optei por adaptar-me. E no cárcere que construí, uso a minha imaginação para poder voar... Joguei a chave fora por opção. Há algo maior que compensa. Não espere que eu explique. Não há resgate para uma escolha assim. Bem, foi uma escolha... vou então continuar assim...confortavelmente coberta com a minha colcha .

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Jogo sem vitória

"Entrei no teu jogo! Você conseguiu atingir o meu ponto fraco. Agora sou refém da minha própria fraqueza na força perversa das tuas mãos". Palavras de um paciente que me fez pensar no por quê de algumas pessoas não conseguirem sair de uma relação infeliz. De estar com alguém pelas razões erradas e sentimentos controversos. O sujeito não sente mais admiração , mais carinho, mais química , que antes sentia; Já não vê mais um sentido no objeto de amor nem na relação em si. Nem mesmo acredita que ele ainda aceita tal situação em sua vida. Neste "Nó Borromeu" que está articulado ainda, o que então mantém este sujeito ligado a alguém que lhe faz mal? Penso ser o fantasma de um sintoma deste sujeito. Pode ser algo que se organizou lá na infância, na adolescência ou mesmo num momento difícil da vida. Não houve tempo ou desejo para resolver esta "falha", que agora aparece repetidamente, de forma primeiramente inconsciente e depois mais consciente nas vicissitudes da forma de lidar com as pessoas , o mundo e si próprio. A posição em que este sujeito se coloca. Quem sai ganhando ? geralmente , ninguém! Pois quem vive uma relação assim, sabe que nada flui naturalmente.... é preciso um grande esforço de ambas as partes para manter toda esta energia do sintoma. Há um desgaste imenso do amor próprio. Aqui falo da parte que não consegue se desprender e não da parte que prende. Bem, se em algum momento, acontece um insight , como este que aconteceu com o meu paciente, há uma probabilidade deste paciente lidar com o seu real sintoma e não com um representante dele . Agora há um lugar para resolver esta questão e não as que são geradas e repetidas por ela. Quando o jogo termina, uma nova perspectiva se abre. Sustentar uma relação doentia é adiar o inevitável encontro consigo mesmo.

terça-feira, 12 de julho de 2011

A DANÇA DAS ESCOLHAS...

A liberdade é um estado de alívio completo! Uma dança... que exige a disciplina de uma bailarina e a precisão de seus passos. Mas com a leveza de um salto , depois de um grande esforço de propulsão de uma delicada sapatilha de ponta. Como disse minha filha, é um "pássaro voando dentro de você". Não preciso pensar em adrenalia para ser livre! não falo da catarse de pular de pára quedas.... falo de um outro salto... aquele salto que sempre tivemos medo, ou seja lá o que for que impedia. Ser livre por alguns momentos é quase um transe...ser livre , estar livre de algo que me prendia, é um doce encontro com a felicidade. Imaginar.... a liberdade maior! Não precisamos de movimentos radicais para sermos livres. Estar livre de uma doença, estar livre da rotina, estar livre para viajar, estar livre daquela gordurinha que encomoda, estar livre de uma ditadura, de uma ideologia, de alguém.... bem tudo começa num estado de, e só depende de você evoluir para o ser. Logo, estar livre momentaneamente é uma coisa. E ser livre..... já é quase um rompimento visceral . A liberdade insana, egoísta, é triste! É na verdade um grande engano de quem não está comprometido com a vida e os valores essenciais do que é humano. Ser leal à liberdade é pensar no outro também. Pois com certeza, a sua liberdade termina onde começa a do outro. Mas no devaneio de um momento, onde não precisamos de nenhuma química para sentí-la.... A liberdade se encontra naquilo que acreditamos e investimos. Pense por um momento: Será que o que me prende, está em mim mesmo? Bem, então há uma escolha! É isso! Ser livre é ter a possibilidade da escolha! É preciso coragem para ser livre. pode haver o desafio de renunciar a algo... Bem seja como for, você pode ser livre por pura e espontânea escolha!!! Coloque a sua sapatilha de ponta e dançe a sua liberdade conforme a melodia da sua música....aquela..... que só você sabe ou ainda descobrirá!

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Saudade

Me fale da saudade... como não sentir saudades? às vezes dói, outras nem tanto. Lembranças são momentos de falta sem saudade. Lembranças, doem menos. Mas a saudade... é uma tatuagem!
Ela está marcada na pele, num cheiro, num gesto, num silêncio, num olhar... é um sentimento de retorno.
A minha história é cheia de saudades.... pois já foi, é passado! Mas se faz presente, quando sentida.A saudade é a presência de uma ausência a espera de um reencontro. Não há, muitas vezes, um objeto defenido. Há algo que remete! Que palavra heim? SAUDADE; SAÚDE-IDADE; Fragmentando esta exclusividade do português,  há uma união de corpo e fases. Então cada fase da vida, a saudade vem com uma percepção diferente. Porém não menos ou mais. Ela tem luz própria. Decifrar a sua saudade é saber um pouco mais de você. Que coisa é essa que me faz ir, mas deixa partes de mim no que ficou?
Que companheira eterna do sujeito que só sente saudade daquilo que viveu. Se não, é arrependimento.
Sentir a transitoriedade da saudade, é como admirar e sustentar o desabrochar de uma linda flor num momento, numa época. Na sua efêmera passagem ... Então, sentir saudades é bom. Negá-la, é fuga.
Viver de saudade, não é vida! Viver para contar histórias que deixaram saudades, são experiências. 

terça-feira, 24 de maio de 2011

A Saída da Perda.

Quem sente uma perda, é porque um dia já teve de alguma forma aquilo que perdeu. Nem que apenas a esperança de um dia ter. Quando acontece esta ruptura , vem a impotência desta dor, daquilo que eu não posso mais mudar. Acabou. Ok, o luto começa a articulação das suas 5 fases e se bem sucedida, escapamos da implacável melancolia. Mas cada um de nós tem um ritmo para lidar com as suas perdas. E isto é de extrema importância para  o sujeito. A perda nos é familiar, uma dor quase conhecida... porque é um dos primeiros sentimentos que vivenciamos na primeira infância, na relação ainda simbiótica com a mãe, que vem a ser saudavelmente,  atravessada pela presença do Pai. Então, por isto Freud escreve que o" estranho é familiar". E se assim, já conhecemos este sentimento, por isto o tememos. Não temos medo só do desconhecido... daquilo que formamos um juízo de valor e afeto, também nos inibe. Mas passado o dano da perda, precisamos pensar em ganhos. Pois se ficarmos paralisados no dano, a vida não segue. Aprender a conviver com a perda já é um ganho. A saudade são lembranças que doem... quando conseguirmos viver com estas lembranças convertidas em história pra contar, experiência pra passar, algo para não repetir, onde o lamento nos fortalece e não nos destrói, a única saída é não se perder junto, isto é a melancolia que falei acima, logo, não podemos usar o se... se eu não tivesse.... se eu tivesse...., precisamos das lembranças sem dor, que nos referencialize na vida e em direção a ela. Naquilo que somos , porque um dia fomos. Na verdade, passamos a nossa vida lidando com a nossas perdas. Não tem fim. Mas nem por isto deixamos de aprender com elas, por piores que sejam... existe aí um lugar de alento, dentro de você! Se não volta mais, não será mais como era, então precisamos fazer de um novo jeito para conseguir viver apesar do pesar da perda. Não tentemos voltar ao absoluto daquilo que era! Será uma busca sem fim. Lide com a dor a seu tempo e guarde as boas lembranças no coração, a saudade nos momentos em que as lágrimas chegam, e a esperança de que  você conseguirá nas margens do tempo, viver em Lá maior e não em Dó menor na melodia de tudo que ainda está por vir.
Bjs,e em especial há uma querida família, a quem dedico estas linhas.
Ale.  

terça-feira, 17 de maio de 2011

A Espera

Às vezes a espera é algo insuportável. Impaciência? Não só...
É impressionante a capacidade que temos de transformar uma letra ,
no alfabeto! Entendo que quando se está esperando por algo ou alguém, nos tornarmos vulneráveis e tendenciosos. Penso em confiança e estima. Pois o pensamento entra num viés negativo e parece atualizar todos aqueles sentimentos de fracasso e rejeição. E isto é puro devaneio transitório da espera. Para o prazer de uma espera não se transformar na tortura do abandono, onde uma onda de adrenalina invade o corpo e "pensar o pior" é inevitável, PARE  o curso deste pensamento , criando uma nova perspectiva de pensamento. Pense algo positivo. Crie possibilidades para justificar esta espera, sem sofrer tanto. O esperado, pode não fazer a mínima ideia do julgamento pelo qual ele já passou. É importante, deixar o outro se explicar de forma imparcial. Se você já cria uma postura reativa diante da circunstância, talvez jamais saberá realmente o que aconteceu. Não sucumba ao gozo histérico da expectativa de uma espera, sem antes, ouvir o outro lado. Afinal, quem espera também é esperado.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

A Culpa.

Se existe uma palavrinha que poderia ser quase um sinônimo da neurose, é a Culpa.. Diferentemente do que muitos pensam a neurose é uma estrutura saudável, justamente por ser imbuída da dúvida, da falta, da diferença e da culpa. Freud, quando colocou que o sujeito em sua estrutura pode ser neurótico, psicótico ou perverso, estava atento a este sentimento : sentir-se culpado. Então, vendo por este prisma, ser neurótico na estrutura e sentir culpa, não é ruim, pois são os sinalizadores da minha suposta normalidade. O psicótico vive no campo da certeza. E o perverso , no da estratégia. Ambos não sentem culpa. Bem, mas para não quero teorizar... só quero dizer que se a culpa nos torna capazes de amar e trabalhar(definição freudiana de normal) porque sofremos tanto com ela? É um sentimento aniquilador, que nos deixa em cárcere privado e provoca vários sintomas orgânicos desagradáveis, pela somatização. Importante pensarmos na culpa em formas distintas: Sentir-se culpado , estar culpado e ser culpado. No último caso parece que já houve um julgamento de valor, de mérito. Mas a semelhança é intrigante: A culpa  é sempre depois do pensamento ou ato. Porque será? A culpa é um afeto que silencia a narrativa de um desejo. Então é importante se perguntar, antes mesmo de vitimar-se ou julgar-se, se culpando.... na causa , no antes. Se havia um desejo, havia uma verdade. Fato. Não importam mais as "desculpas" que me levaram a fazer isto ou aquilo. Portanto, nesta reflexão, crio um paradigma de antes de narcisicamente julgar a culpa ,  questionar o que me levou a agir assim. A partir disto, terei uma escolha de abreviar uma relação ou renová-la . Na hipocrisia do ego, há uma tendência de colocar a culpa como fim. E se a considerássemos como uma aliada? que pode nos dizer algo mais além? Penso que temos escolha na culpa, se não a infantilizarmos. Assim, saberemos melhor o porquê deste sentimento tão limitante, mas que se bem pensado, pode ser LIBERTADOR.
Ale.